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18/09/2018 - 19:39h
HISTÓRIA DO BICUDO J.K

BICUDO J.K.

O Peito de Aço

. Nome: J.K.

. Espécie: Bicudo

. Sub-espécie: maximiliani

. Tipo de canto: Goiano Liso

. Faremos aqui uma homenagem ao saudoso Mario Luiz Ferreira Antunes de Lins, falecido no ano de 2000, pois ele foi o grande responsável por este pássaro ter deixado uma geração de descendentes de excelente qualidade, como vamos ver a seguir.

A história tem início no ano de 1986, na praça da Bandeira, na cidade de Lins –SP – onde os passarinheiros da cidade costumavam se encontrar. Foi para lá que se dirigiu o Sr. Mario, pois ele procurava um bicudo para galar uma fêmea que tinha. O Mario viu o JK e soube que o proprietário estava vendendo. Ele fez uma oferta e o proprietário disse que o pássaro era valente, mas que não sabia se era um galador ou não. O Mario adquiriu o pássaro que naquele momento estava passando 2 a 3 cantos. Assim que ele comprou e deu umas voltas pela praça, o danado disparou a cantar, sendo que o antigo dono tentou desfazer o negócio, mas o Sr. Mario, que já havia pago o preço pedido, pegou a gaiola e foi embora.

. Estima-se que quando ele veio para as mãos do Mario tinha cerca de 4 anos de idade. Era mateiro, sendo que acredita-se que tenha vindo de Goiás, passando por Marília. Quem vendeu para o Mario foi o Sr. Joaquim Cafelândia, que comercializava pássaros ornamentais, daí a derivação do nome JK. Dizem que ele foi trocado por uma fêmea de curió que pertencia ao Sr. Joaquim. JK usava anilha aberta do IBDF, de número 20.

. Uma passagem que nos conta o filho do Mario, o Marcio, diz que quando o Mario chegou em casa com o JK recém adquirido, ele estava preocupado com a reação da sua esposa, Dona Maria Luiza (qual o passarinheiro que nunca passou por esta situação ???

) por ter pago um valor elevado nele, porém ela como sempre o apoiou, disse “mais vale um gosto do que dinheiro no bolso “.

. Quando chegou em casa o JK viu a fêmea e ficou louco, cantando cada vez mais, até que 2 meses depois a fêmea já estava galada e dando os seus primeiros filhotes.

Logo na primeira cruza saiu o Terrível, bicudo muito repetidor.

. Uma das passagens inesquecíveis deste pássaro ocorreu em Lins, quando o falecido Sr. Scatena viu o JK passar uma infinidade de cantos e inclusive botar para correr um bicudo do também falecido Pelé e 2 bicudos que estavam na área treinando para um torneio do dia seguinte. O Sr. Scatena ficou maravilhado pelo JK e pediu para o Mario colocar preço. A disputa foi feroz, com o Sr. Scatena insistindo em compra-lo, inclusive disse para o Mário que o Escurinho (bicudo de propriedade do Sr. Scatena) tinha preço, porque o JK não? O Mario respondeu que o Escurinho podia ter preço, mas o JK não, e acabou não vendendo. Naquele dia o Mario poderia ter vendido o JK pelo preço que quisesse, porém sua paixão pelo pássaro falou mais alto. Além desta tentativa, por várias vezes outros tentaram comprá-lo, sem sucesso.

. Depois disto, o Pedro Junqueira, que já possuía um excelente bicudo de nome Riscado e queria criar com o JK, pediu para o Paulo Roberto Milian, consultar o Mario para ver se ele vendia. O Mario finalmente concordou e pediu uma quantia bastante alta para a ocasião. Depois ficaram negociando e nestas idas e vindas o Mario propôs fazer uma sociedade em 3, sendo que os outros 2 (Pedro Junqueira e Paulo Roberto Milian) dariam uma quantia a ele, que cederia o JK para criar e ficaria com 6 filhotes cada temporada. Foi daí que nasceram novos filhotes repetidores : Apolo , Guerreiro , Garrincha , Foguinho.

Ele deu certo até com uma fêmea parazinha de nome Sapatão com quem teve excelentes filhotes repetidores

. Uma característica marcante deste pássaro era que ele dava bons filhotes com qualquer fêmea.

. Conta-se que foi em um torneio em Ribeirão Preto que ele mais repetiu (47 cantos sem parar) o que o consagrou.

O primeiro torneio do qual participou foi em Pirassununga, ficando em terceiro lugar. Daí em diante ele participou em Lins, ganhando em primeiro lugar, sendo que tornou-se imbatível na categoria peito de aço. Dizem que quando o Mário chegava com o JK os concorrentes desanimavam e diziam “lá vem o JK “, “o capeta “.

. Alguns dos descendentes do JK que hoje fazem sucesso e que estão dando descendentes com qualidade de ponta:

.. Apolo – pertence ao Sr. Jose Carlos Gradela, de São José do Rio Preto – SP. Inclusive recentemente o Sr. Gradela recusou uma oferta alta por um pardo filho do Apolo.

.. Latino – Do Sr. Amaral de Dracena – SP

.. Guerreiro – do Sr. Eider de Bauru – SP

.. Pedro Primeiro – atualmente com Miguel Tanamati – Londrina – PR

.. Boca de Ferro – fazendo muito sucesso atualmente

.. Paco Rabane – do Sr. Wagner Marques – São Paulo – SP

. Recentemente surgiu uma cruza de descendente de JK com uma fêmea chamada Luíza Brunet (pela sua beleza), que está dando muitos filhotes maravilhosos, sendo que 70% das fêmeas saem mutação.

. Granfino – do Sr. Geraldo Magela – São Paulo – SP

O Dr. Jose Carlos Grando, de Dracena – SP possui um pardo descendente de JK também, que está repetindo muito e cantando Batuque.

JK morreu em 1999, aparentemente vitimado pela coccidiose, alguns meses depois que o Mario o havia trazido de volta pra casa, da fazenda do Pedro Junqueira em Presidente Epitáceo. Pouco tempo antes já havia morrido outro bicudo seu, de nome Foguinho. Antes de morrer ele deixou mais um filhote, de 1999, que hoje está com o filho do Mario.

Uma passagem emocionante desta história diz respeito ao momento em que o Mario comentou com o Paulo Roberto Milian que havia morrido o Foguinho, o JK e só faltava ele morrer também. Pois pouco tempo depois disto o Mario veio a falecer, no ano de 2000.

Uma grande alegria é saber que o filho do Mario, o Marcio Jose Antunes , que mora em Lins , está dando continuidade à criação, com filhos e netos do JK, perpetuando assim a raça deste extraordinário bicudo. Inclusive uma curiosidade é que o Marcio mantém até hoje o JK congelado no freezer.

 

Colaboraram na elaboração desta história:

. Paulo Roberto Milian – S.Jose do Rio Preto

. Aloísio Pacini Tostes – Ribeirão Preto

. Marcio Jose Antunes – Lins

Escrito por Paulo Schiavon – colaboradores – veja acima, em 26/12/2003

 

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